INTEGRALIDADE PRÁTICA

Pr. Fabricio Fukahori

Temos aprendido neste ano que viver na realidade do “Uns aos Outros” é a dinâmica pelo qual nós, o povo de Deus, devemos viver com a ajuda do Espírito Santo. No mês de junho fomos orientados pela Palavra de Deus acerca do nosso propósito como Igreja em ser um sinal histórico do Reino de Deus na terra. Pois bem… neste mês queremos continuar o tema, mas com a intenção de trazermos à nossa reflexão o aspecto prático da missão integral de Deus.

Inegavelmente a história nos mostra que o avanço da proclamação do evangelho de Jesus no mundo se deu por causa de pessoas simples em seu cotidiano e indo de casa em casa. Uma das formas que o Império Romano tentou impedir seu avanço, após muitas tentativas violentas, foi cessando a perseguição, institucionalizando-a e colocando dentro de “quatro paredes”; transformando sua expressão de serviço apenas para “pessoas especializadas” dentro de cultos. Tentaram transformar nossa fé em algo mais teórico do que prático.

O império romano já não existe mais e muitos séculos já se passaram, mas a estratégia do Inimigo ainda é a mesma: fazer com que fiquemos presos dentro de um templo vivenciando uma espiritualidade auto-centrada, curtindo uma “Koinonite” (comunhão adoecida) ao invés de vivermos uma espiritualidade outro-centrada… Uns aos outros no mundo!

Assim também a luz de vocês deve brilhar para que os outros vejam as coisas boas que vocês fazem e louvem o Pai de vocês, que está no céu” (Mt 5:16).  Brilhar a luz de Cristo e iluminar em meio as trevas é nossa vocação como Povo de Deus! Jesus te chama para um propósito maravilhoso em todos os lugares onde você tem andado. Caminhe conosco nesta jornada!

 

INTEGRALIDADE

Pr. Timóteo Carriker

Não vamos esquecer do alvo do projeto e da missão de Deus no qual o povo de Deus está inserido: novos céus e nova terra, isto é, nova criação. E não esqueçamos da flecha para atingir o alvo: uns aos outros (lembra da palavra grega? Alelon). Nem da força que move a flecha: o Espírito Santo. E o braço que puxa o arco? Agora somos forçados a “teologar” um pouquinho: o braço é nosso e o braço é de Deus. Ou seja, aqui entra o mistério da soberania divina e o livre arbítrio humano. Esta parte fica para outra conversa…

Por enquanto, quero chama a atenção novamente para o alvo: a nova criação, que conforme Apocalipse 21.1-5, se manifesta quando o céu desce à terra, e conforme 2 Coríntios 5.17, se faz, pouco a pouco, à medida que as mulheres e os homens são transformados em Cristo Jesus em novas criaturas. Ou seja, ocorre no aqui e no agora ao longo da história cristã: a manifestação cada vez mais dentro da nossa história e dentro deste mundo da nova criação.

Pense bem. Não é isso que Jesus pediu para a gente esperar quando nos ensinou a orar “seja feita a Tua vontade aqui na terra como no céu”? E qual é a abrangência da vontade de Deus? Não é o mais abrangente possível? A vontade de Deus, pela qual oramos que seja feita, abrange todo o meu ser pessoal… corpo, mente, coração e alma? Ou seja, Deus não deseja que sejamos curados (corpo), transformados (mente), restaurados (coração) e perdoados (alma)? E se a vontade de Deus abrange todo o meu ser pessoal, será que não abrange toda a nossa vivência social também: a família, a igreja, e a sociedade? Ou seja, Deus não deseja famílias saudáveis, igrejas impactantes, e uma sociedade onde a corrupção em todos os níveis e todos os partidos é denunciada, e eventualmente detida, onde os valores de justiça, misericórdia e igualdade regem todas as atividades?

Pronto, este será o assunto dos próximos dois meses… Junho e Julho! Por falta de uma palavra melhor: a integralidade. Uma fé integral (corpo, mente, coração e alma) em ação integral (família, igreja e sociedade). Pano para manga, né? Vamos enfrentar e crescer?

DEUS NA FAMÍLIA

Pr. Fabricio Fukahori

“…em ti serão benditas todas as famílias da terra”. (Gênesis 12:3b)

Foi Ruy Barbosa que disse acertadamente: “Família é a célula mater da sociedade”. De fato é na família onde vivemos e convivemos primariamente. É ali que descobrimos o conceito do que é repartir, respeitar os limites do outro, qual é o lugar de cada um, aprendemos a obedecer uma hierarquia, etc.

Na família amamos e sentimos raiva e acabamos descobrindo este paradoxo em nossos sentimentos e atitudes. Lá é que se forma o melhor de nosso caráter, mas também é a raiz de muitos de nossos traumas.

A família tem um papel muito importante dentro do projeto de Deus para a criação. O Senhor deu à família a vocação de administrar com responsabilidade e desfrutar de tudo que criou. Infelizmente na maioria das vezes não é assim.

No livro do Gênesis no capítulo 12 lemos Deus chamando um casal, Abrão e Sarai, para formar uma família, a partir da qual nasceria uma grande nação com a missão de abençoar todas as famílias da terra.

Deus ama as famílias e tem o propósito de curá-las. Em Cristo, Deus cumpre a promessa de abençoar todas as famílias da terra. Nosso desafio como Igreja é nos sujeitarmos ao ensino do Espírito Santo para que nossas famílias sejam restauradas e como consequência, nós, passemos a refletir o caráter amoroso de Deus abençoando outras famílias que Deus tem colocado em nosso caminho.

JESUS: A SOLUÇÃO

Pela equipe Pastoral: Pr. Timóteo Carriker

Por que o tema do ano, “uns aos outros”, alelon, é tão importante? Por nada menos que ser esta a chave para o cumprimento do projeto de Deus! Estou exagerando? Categoricamente não! E é por esta importância que voltamos repetidas vezes à definição deste projeto. De novo, qual é o projeto final? É a nova criação, a recuperação do projeto original, a criação. Este é o enfoque mais abrangente da Bíblia. Antes do enfoque da Bíblia ser sobre 1) a salvação pessoal ou e até mesmo 2) a eleição do povo de Deus, o enfoque maior e mais abrangente é 3) o resgate da criação toda (Rm 8.18-25). Tanto a salvação pessoal quanto a eleição do povo de Deus são meios, não fins. A salvação pessoal é o nosso ingresso no povo de Deus, mas ambos estes são meios, não fins. São meios para a finalidade de resgatar a criação de Deus. E isto, a partir da morte e ressurreição de Cristo: a solução (e assim, tema do mês de abril) do desvio (leia “pecado”) do povo de Deus da sua incumbência do resgate de todas a famílias da terra (aliança com Abraão e seus descendentes em Gn 12.1-3), aliás, de toda a criação (a aliança com Noé e seus descendentes em Gn 9.1-7).

 

A passagem chave de Cristo como “solução” é Colossenses 1.20 (compare com Ef 1.10), “e havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele [Cristo], reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus”. E tal reconciliação começa com nossa reconciliação com Deus, por meio de Cristo (Cl 1.22, compare com Ef 2.8-10). Consequência disto? A via de “uns aos outros” (Cl 3.12-15)! E assim, pouco a pouco se vai contribuindo para a nova criação… o projeto último de Deus (compare com Ef 1.23; 3.10; 2Co 5.17).

 

Logo, a importância da vivência “uns aos outros”. Como fazê-lo? Olhando para Cristo e vivendo nele — a solução, e isto por meio do seu Espírito que nos enviou para nos capacitar a viver assim.

O PROBLEMA

Temos para este ano o desafio de mergulharmos em um tema inspirador que é “Uns aos outros”. Aprendemos no mês de fevereiro que comum-unidade é o projeto de Deus para a Criação, e este projeto envolve a ideia da dinâmica do uns aos outros.

Todos nós ansiamos por relacionamentos e buscamos isso através dos séculos de diversas formas, às vezes de um jeito saudável outras vezes não. Os relacionamentos humanos nos trazem sentimentos contraditórios. Ao mesmo tempo em que acreditamos que a felicidade vem do ato de se relacionar com o outro, é desta mesma raiz que nasce todos os conflitos e infelicidades das pessoas.

Qual nosso problema? A Bíblia nos conta, no livro de Gênesis, que tínhamos um relacionamento perfeito com Deus e toda sua criação, entretanto por causa de uma proposta enganosa do diabo, decidimos quebrar nossa relação perfeita com Deus e sua criação e aceitamos ir em direção do desejo de sermos iguais a Deus, conhecedores do bem e do mal (Gn 3:5). O resultado disso é que de fato conhecemos o mal, experimentamos a morte como resultado do pecado.

O pecado tem tentado destruir nossos relacionamentos, e de uma forma subversiva, tem controlado nossas intenções e prioridades no dia a dia. Não são poucas as pessoas que enfrentam a morte nas suas famílias, casamentos, vocações e morte física por conta da desordem causada pela escolha em sair do governo de Deus.

A boa notícia é que existe solução para o problema. Há esperança para você que reconhece que existe algo em você e em sua vida que tenta constantemente tirá-lo da comunhão com Deus, com as pessoas e com sua criação. Deus iniciou seu projeto se formar uma comunidade que expresse seu caráter e amor e você certamente faz parte disso. Continue conosco nesta caminhada em busca do viver “uns aos outros”. Deus tem coisas maravilhosas para nossa Igreja.

Pelo corpo pastoral

Pr. Fabricio Fukahori

O DESAFIO DE VIVER EM COMUM-UNIDADE

Pr. Fabricio Fukahori

Nas grandes cidades, andamos em meio a dezenas ou centenas de pessoas diariamente, mas curiosamente, a solidão é um problema que cresce em nosso meio. Se prestarmos atenção perceberemos que a maioria das coisas que nos influencia e nos movimenta, leva-nos para este individualismo.
Intrigante ver como os meios de comunicação e redes sociais se desenvolvem e de certa forma nos ajuda em nossa dinâmica familiar e de trabalho, mas não consegue fazer com que nossa comunicação interpessoal e empatia uns pelos outros melhore. Como seres humanos temos uma dificuldade imensa em viver e conviver uns com os outros. Qual será de fato nosso problema?
Deus é uma comunidade perfeita em si mesmo, Pai, Filho e Espírito Santo. A trindade vive em perfeita unidade a ponto de ser um só. Quando nos criou, nos incluiu nesta perfeita comum-unidade; nós e toda criação ao qual deu-nos a incumbência de cuidar.
Nossa dificuldade em viver em comunidade iniciou-se por conta do pecado que trouxe como consequência o desejo egocêntrico, ou seja, minhas vontades e interesses antes do outro.
Sempre que invertermos a ordem que Jesus nos ensina no evangelho de Marcos 8:34-35, iremos para um caminho para o individualismo e solidão: “Aí Jesus chamou a multidão e os discípulos e disse:– Se alguém quer ser meu seguidor, que esqueça os seus próprios interesses, esteja pronto para morrer como eu vou morrer e me acompanhe. Pois quem põe os seus próprios interesses em primeiro lugar nunca terá a vida verdadeira; mas quem esquece a si mesmo por minha causa e por causa do evangelho terá a vida verdadeira”.
Nosso desafio como IPI do Estreito é viver na plenitude o que Deus projetou para nós como seu povo. Vivermos nesta comum-unidade, perdoados, regenerados e religados pelo Filho, Jesus Cristo à Trindade (Pai, Filho e Espírito). Certamente esta vida em comunhão trará consequências para nossa convivência como casal, filhos, amigos, trabalho, bairro e cidade.
Querido amigo busque isso! Jesus te convida para viver integralmente nesta comum-unidade.

UNS AOS OUTROS

Pr. Fabricio Fukahori

“O meu mandamento é este: amem uns aos outros como eu amo vocês.” João 15.12

Quais são as comunidades que convivemos? Uns aos outros está ligado ao conceito de vida em Comunidade. Comunidade é essência do Deus Trino, ou seja, da TRINDADE.

Jesus veio restaurar essa essência em nós – que basicamente aprendemos no Evangelho de João em 2016. O ser humano nasceu com a essência de vida em comunidade, mas o pecado nos arrasta para o individualismo como um vento contrário.

A família é a primeira comunidade que experimentamos. Escola e trabalho acabam sendo uma comunidade também, porque é ali que estamos todos os dias, as vezes mais do que com a própria família.

Nosso bairro, a cidade que habitamos é também um lugar de convivência, local de vida comunitária, mas que nem sempre é praticada como Deus quer. Como Igreja, corpo de Cristo, precisamos mostrar pra nossa cidade como Deus é! Ele é uns aos outros!

Uns aos outros significa que somos convidados para participar do “uns aos outros de Deus” e do seu plano único: nova vida em Cristo para mim e para o mundo todo.

As implicações desse “uns aos outros” impactam ou atingem diretamente áreas da nossa vida, revelando como de fato esta essência de Deus se manifesta na forma como lidamos com as coisas: dinheiro, bens materiais, tempo, conhecimento, lazer, dons e talentos…

Este é o desafio que queremos trabalhar em 2017. Desenvolver uma vida equilibrada, vivendo a essência de Deus, que é a vida em comunidade. Simples assim: UNS AOS OUTROS.

VER PARA CRER OU CRER PARA VER?

Pra Nicole Farias Berndt

No princípio não existia forma, apenas o caos, o vazio. O Vento e a Palavra, que deu forma a coisas que nunca existiram. A criação. Deus olhou para tudo e viu que era bom.

No começo aquele que é a Palavra já existia… e a Palavra se fez carne e habitou entre nós (João 1.1,14). Estas palavras abriram o ano de 2016, com João e seu incrível Evangelho, que descreve a história do mundo, a nossa história, de uma forma única e intrigante, revelando-nos um novo gênesis, uma chance de recomeçar. Afinal, o caos vem novamente. A carne morre e a escuridão desce sobre o pequeno grupo que chorava aos pés da cruz. Em seguida, um longo sábado e, um túmulo frio.

Ainda na escuridão nasce o primeiro dia da semana. Uma nova semana. O oitavo dia. Olhos vermelhos de choro e pouco sono… Mulheres no túmulo. Não havia outro lugar para estar, nada mais para fazer e se importar. Surpreendentemente, uma mulher é a primeira a trazer a notícia de que o túmulo estava vazio. É também a primeira a encontrar-se com o Cristo ressurreto!

Nos primeiros versículos do penúltimo capítulo de João é quase possível apalpar a fé do mais jovem discípulo de Jesus. Não que sua fé não existisse antes. Porém, diante do túmulo vazio, João enxerga o “sim” de Deus para Jesus. O discípulo amado não teve dúvidas, seu Mestre estava vivo novamente (João 20.8). Ele tinha ressuscitado! Através da sua morte, Jesus passa a criar uma nova criação. Este é o ponto mais alto deste livro, da Bíblia, da nossa vida! A escuridão se foi, o sol brilha de novo!

A maioria das pessoas acredita que o Natal seja a data mais importante do calendário cristão. Mas, no mês em que comemoramos o Natal é importante lembrar que se não houvesse Páscoa, não haveria Natal!

Neste contexto de ressurreição, mais uma surpresa! Nos deparamos com Tomé, aquele que precisava ver para crer. Ele é a primeira pessoa na história descrita por João a olhar para Jesus e lhe dirigir a palavra “Deus” (João 20.28). Jesus faz uma suave repreensão a Tomé, que soa mais como um estímulo para aqueles que viriam depois. Todos somos “abençoados” quando, mesmo não vendo o Senhor, acreditamos nele.

Como não poderia ser diferente, nossa meditação em João  se fechará com chave de ouro, com um dos mais espetaculares encontros descritos na Palavra. Jesus e Pedro.

Pedro estava “em débito” com Jesus. No entanto, o Mestre se aproxima do seu amigo para reafirmar que Ele é o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, o pecado de Pedro e o nosso. E o perdão chega de uma forma inesperada. Jesus não diz simplesmente que está tudo bem, mas, dá a Pedro um trabalho a fazer: “— Tome conta das minhas ovelhas!” (João 21.15).

Após uma noite difícil as três perguntas correspondem às três negativas de Pedro. Jesus escolhe a situação perfeita, o contexto, a fogueira, o aroma, para trazer à memória de seu impulsivo discípulo uma outra noite difícil (João 18.25). Jesus vai até onde está a dor, como ele fez tantas outras vezes e, oferece aquele forte homem, que carregava um sentimento de fracasso, um novo desafio. Uma nova comissão. Jesus não apenas pede a Pedro que volte para seu trabalho frutífero, mas compartilha do seu próprio ministério com ele.

Nos perguntamos: o que fazer para “ganhar” o perdão? Nada. Perdão é graça do começo ao fim. Há sim o que fazer quando “recebemos” o perdão, como sinal de que somos perdoados. Concluímos nossa meditação comunitária no Evangelho de João desafiados po Pedro, que da mesma forma que Cristo, completará sua tarefa como pastor dando sua própria vida pelas ovelhas do Bom Pastor. Ele amou Jesus e cuidou de Suas ovelhas até o fim. Ninguém poderia pedir mais. Jesus nunca pediu menos.

(Fonte de estudo para esta reflexão: “John for Everyone”, Tom Wright.)

RECOMEÇO

2016 está terminando e nossa caminhada através do Evangelho de João também chega mais e mais perto do fim. O grande desfecho da mais emocionante e verdadeira história de amor que este mundo presenciou será o assunto do mês de Novembro. Em contrapartida, a questão final deste livro tão poderoso tem a ver com um novo começo, um recomeço. Ao entrarmos nos capítulos 18 e 19 de João somos desafiados por um “Novo Gênesis”. Estamos diante de um cenário que lembra o primeiro onde primeiro homem esteve (Gênesis 2-3). Mas agora, o personagem principal é Jesus, o “Novo Adão”.

A história de Adão no jardim está por trás do jardim da traição. Porém aqui (João 18) os papéis são invertidos. Em Gênesis é Deus, o Criador, que ama relacionar-se com sua criatura, quem procura o homem, escondido, envergonhado diante da sua desobediência. Agora, homens pecadores, violentos, armados, entram no jardim escuro, procurando por alguém. Como todos os seres humanos, eles estão à procura de Deus, mas eles não sabem disso…

Jesus não se esconde. Ele não tem nenhuma razão para isso. Jesus está pronto. O “Novo Adão” dá um passo à frente para resgatar e salvar o velho. A luz do mundo está diante de todos que, em sua escuridão, vem com suas tochas  e lanternas (v.3). A luz brilha na escuridão, e a escuridão não pode apaga-la (João 1.5). Ele é o EU SOU, o pão da vida, a luz do mundo, a ressurreição e a vida, o caminho, a verdade e a vida. O verdadeiro Adão será enviado para a morte no lugar dos pecadores, de modo que o jardim possa ser restaurado e, em vez de derramamento de sangue, possa haver cura e perdão.

Outro “personagem” que se destaca nos capítulos finais do Evangelho de João é Pedro, com seu temperamento e devoção. A história é narrada de tal forma que tanto Pedro como Jesus são interrogados ao mesmo tempo. Jesus fala a verdade. Enquanto Pedro diz mentiras. Jesus fala abertamente. Pedro faz de tudo para se esconder. O autor conta a história de forma simples e sem adornos. Pedro de um lado, Jesus do outro. O tapa na cara de Jesus (v.22) vem como o corte de Pedro da orelha do servo (v.10). A violência começa, e só piora a partir daqui. O galo canta para lembrar o discípulo das promessas quebradas, e da previsão precisa de Jesus (João 13.38).

Jesus também enfrenta Pilatos, alguém que vê as coisas sob o ponto de vista deste mundo. Pilatos conhece a verdade a partir da bainha de uma espada. Como um bom governador romano, conhece a verdade onde o poder vence o fraco. Ele não consegue entender a verdade que diz que um homem morre e os outros são libertos, muito menos pode enxergar a verdade que estava diante dele, em pessoa, levando a morte que teria caído sobre o bandido. João quer que vejamos isso. Isto é o que a cruz significa. Isto é o que a verdade é e faz. Jesus, a verdade. Ele está pronto para morrer por Barrabás, por Israel, pelo mundo… Por mim e por você.

Jesus é o justo sofredor. Ele é o verdadeiro rei dos judeus, o representante escolhido de Deus, não meramente para governar o mundo, mas para resgatá-lo. João escreve de forma que as imagens se acumulam, uma sobre a outra. A única forma de prosseguir e avançar no seu Evangelho é permitindo que todas elas, unidas, ecoem em nossos corações até que produzam oração, reverência, silêncio e amor.

Pra Nicole Farias Berndt

PERMANECENDO NELE

Pra Nicole Farias Berndt

Na tradição judaica a videira é uma das imagens que representam Israel. Lemos no Salmo 80 que a vinha trazida por Deus do Egito, plantada na terra prometida, foi devastada por animais selvagens e precisou de proteção e restauração. O profeta Isaías relata no capítulo 5 que a vinha de Israel produziu uvas selvagens em vez de uvas adequadas.

Sou totalmente leiga no assunto jardinagem, mas ao pesquisar sobre o assunto descobri que quando a videira é largada aos seus próprios cuidados, ela acaba se tornando um emaranhado que se esconde da luz. Para crescer na direção certa, ela precisa de ajuda. A poda acontece para impedir que a videira desperdice sua energia e se torne improdutiva. Em outras palavras, a faca do agricultor auxilia a planta a ser sua melhor versão.

Este mês vamos meditar nos capítulos 15, 16 e 17 do Evangelho de João. Jesus abre o capítulo 15 afirmando que Ele é a videira, Deus Pai é o lavrador e, os ramos são as pessoas que permanecem unidas com ele. Em outras palavras, Jesus diz que Ele é o verdadeiro Israel e, os seus seguidores, o verdadeiro povo de Deus. A videira representa essa relação íntima que aqueles que permanecem em Jesus tem o privilégio de desfrutar e cultivar. Os ramos que decidem “caminhar sozinhos” secam e morrem, já os que permanecem na videira e se submetem à poda do lavrador vivem e dão frutos.

Mas, na prática, como podemos “permanecer” nEle? Os ramos que permanecem unidos à videira são aqueles que vivem na comunidade que conhece, que ama e celebra a Jesus como seu Senhor. Não existe cristão solitário. Ao mesmo tempo, é necessário cultivar, de forma íntima e privada, uma vida de oração e adoração em sintonia com Jesus, conhecendo-o e sendo conhecido por Ele. E, ainda que doa, devemos estar prontos para a poda do Pai. Só assim é possível produzir frutos de qualidade e em quantidade. A poda é sinônimo de intimidade, vida e amor.

O amor é outro tema importante neste mês. Não podemos ordenar que alguém ame outra pessoa, mas Deus, através de Jesus, pode nos ordenar a amar. A “ordem” de amar é dada por quem ama de verdade, aquele que está disposto a dar a vida pelos seus amigos (15.13). Seguir a Jesus não é uma “religião”, é uma relação pessoal de amor e lealdade para com aquele que nos amou até o fim. E o teste desse amor e lealdade é um comando simples, profundo, perigoso e difícil: amar uns aos outros.

No capítulo 16, João fala novamente sobre o Espírito Santo, o Auxiliador que vem como Advogado para provar que o mundo está errado em pelo menos três acusações: 1) O pecado. O mundo é culpado pelo pecado, pois não crê em Jesus, e rejeita o caminho de Deus. 2) A justiça. O mundo pensa que a justiça está do seu lado. Mas, Deus decidiu a favor de Jesus, o único justo. Todos aqueles que o seguem compartilham desse veredito (“justificação pela fé”). 3) A condenação. O mundo supõe que pode julgar os seguidores de Jesus. Mas Sua morte e ressurreição indicam que o poder sombrio que governa este mundo já foi condenado e derrotado.

Os últimos versos do capítulo 16 se referem ao Pai, o quanto Ele ama cada um que confia no Filho, e quão grande são as promessas que Ele faz, em Jesus, aos ramos que permanecem nEle. Por mais hostil que seja o mundo, Jesus dá uma palavra “pé no chão” e ao mesmo tempo de ânimo para os seus discípulos. Mesmo diante do pior que está por vir, eles podem contar com uma paz que irá acompanha-los (v.33).

Com uma oração pelos seus seguidores Jesus concluí seu discurso. Ele está indo embora e, agora os confia aos cuidados do Pai. Jesus tem plena consciência dos riscos que eles correm. Eles não são mais “como o mundo”. Eles foram podados, se tornaram novas pessoas através do Seu chamado e ensino, eles não pertencem mais a este mundo que se rebelou contra Deus. Agora, eles precisam ser protegidos a fim de que não sejam puxados de volta para a maldade do mundo.

A oração de Jesus traz, mais uma vez, um dos temas principais de João, a unidade. Ele deseja que todos nós sejamos um, assim como Ele e o Pai são um (17.21). Esta unidade, a unidade que quebra todas as barreiras e que existe por meio do amor de Jesus é poderosa, ela atrairá outros a este amor, à fé no Deus que é o próprio amor e está disposto a nos amar até as últimas consequências.